O NOVO MODELO DE “ESCRAVIZAÇÃO”.

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Ele está com você em qualquer situação. No momento de dormir ou na hora de acordar, muitas vezes é com ele o nosso primeiro contato. Na sua ilustre companhia, tomamos café, vamos para a escola ou para trabalho. Na hora do banho ou em algum instante de prazer, ele continua ali, presente em cada segundo de nossa vida. Meu Deus, se por ventura esquecemos em casa ou em qualquer outro ambiente, podemos até pensar duas vezes, mas no fim, voltamos correndo para buscá-lo. Se perdemos ou se somos roubados, fazemos o possível e o impossível para recuperá-lo ou no mínimo escolhemos um outro companheiro para que possamos dizer sim a esse novo casamento. Por ele deixamos o controle de lado, não o dominamos, mas somos facilmente dominados. O desespero nos consome, somos incapazes de aguentar trinta minutos sem ao menos constatar se ele ainda está vivo. Em alguns casos podemos ter a certeza que ouvimos claramente o seu chamado. Através dele nos conectamos com o mundo, com os amigos, com a família por mais que todos estejam bem próximos de você, sabemos de tudo e de todos sem precisar se quer sair do lugar. Ele é assim, percorre os dois extremos com a maior naturalidade, para alguns a sua importância pode ser representada como sinônimo de vida, para outros de doença. Essa descrição chega até ser engraçada quando realmente descobrimos o nome desse ator principal, sabe quem é? Sim, é ele, o smartphone. Tenho a certeza que muitos irão dizer que não se encaixam nesse perfil e para ser sincera, alguns realmente não fazem parte desse grupo. Entretanto o único fato indiscutível é que essa nova “moda” está em expansão, atingindo um número cada vez maior de pessoas.

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Recentemente a matéria do fotógrafo americano Eric Pickersgill repercutiu bastante na internet. Ele é o criador do projeto “Removido” que consiste basicamente na remoção dos celulares de suas fotos. A mensagem embutida no projeto visa demonstrar como a sociedade está totalmente dependente da tecnologia, e é claro, dos smartphones. Particularmente considero a ideia genial, pois é um assunto realmente preocupante e que deveria ser encarado com muito mais seriedade. As fotos retratam o cotidiano de pessoas comuns o que contribui ainda mais para o choque de realidade.

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(Foto do fotógrafo Eric Pickersgill,criador do projeto “Removido”).
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 (Foto do fotógrafo Eric Pickersgill,criador do projeto “Removido”).
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(Foto do fotógrafo Eric Pickersgill,criador do projeto “Removido”).

Depois de analisá-las, me questiono incessantemente, se será esse o novo modelo de escravização dos homens. Esse questionamento é consistente na medida que compreendemos sobre a época em que vivemos. Ela exige das pessoas uma grande capacidade de ser adaptar as diversas situações e de conciliar várias tarefas ao mesmo tempo, sendo impensável qualquer tipo de desperdício, mesmo que seja apenas de alguns minutos. Esse contexto é favorecido pelo grande número de conexões existentes e pela rápida circulação de informações, que consequentemente acarreta em uma maior cobrança pessoal e profissional em busca de melhores resultados. Para muitos teóricos o excesso de consumo dessa tecnologia pelos seres humanos já pode ser considerado como o novo vício da sociedade atual.

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Somos então viciados? Para muitos, sim, para alguns quem sabe, agora para outros, sem titubear a resposta será negativa. Particularmente, acredito que existem pessoas que saibam lidar muito bem com esses avanços tecnológicos e até mesmo que algumas tenham um contato mínimo ao longo do dia com essas ferramentas ,devido a inúmeros motivos, seja pela faixa etária, renda, alfabetização entre outros, mas também creio que seja muito mais fácil uma provável adaptação a esse sistema chamado de segunda tela (a primeira ainda é a televisão) do que de certa forma evitá-lo, principalmente pelos benefícios que ele proporciona, e que de certa forma são evidenciados pelo desejo natural do homem, sendo eles a comodidade e a facilidade. Não podemos negar que fomos totalmente hipnotizados pela possibilidade de ter tudo que precisamos na palma da mão. Como qualquer outro vício, somos consumidos quase que inconscientemente. Parece um absurdo, mas acredite, existem pessoas que realmente recorrem a clínicas particulares ou procuram algum tipo de ajuda médica com o objetivo de vencer esse estado de dependência.

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Faça um teste, pense no seu núcleo de amigos. Conte quantos deles não possuem um smartphone, ou quantos não gostariam de ter no mínimo um daqueles mais simples. Pode até ser que exista, um, dois mas em muitos casos não existirá absolutamente nenhum. Os que fogem dessa regra, se sentem estrangeiros no seu próprio país, trabalho ou até mesmo em sua casa.

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Mas por que tantas pessoas – estou inclusa nessa situação- possuem tamanha dificuldade para exercer autocontrole e assim cultivar uma relação saudável com esses aparelhos? Essa pergunta é bastante complexa, pois as pessoas possuem características particulares. Penso que existem fatores que agravam essa situação como o consumismo em excesso e a comodidade precoce. Valorizamos muito a questão do poder, do status, da superioridade. As pessoas geralmente aproveitam dessa facilidade para se esconder, evitam os riscos e assim erros. Pense e deixe de lado o piloto automático, por mais que a comodidade possa ser extremamente atraente. Podemos até utilizar o GPS, mas não devemos esquecer dos métodos tradicionais. Aquele famoso “Ei, psiu você pode me informar como que eu chego nesse lugar?”, Ainda continua valendo e em muitos casos esse caminho pode ser muito mais rápido e seguro. Não concentre toda as opções em uma única alternativa, ele não é um ser de outro mundo, é apenas um aparelho que assim como os outros, poderá cometer falhas.

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Por fim, os smartphones estão ou não prejudicando as relações pessoais? Creio que essa não seja a pergunta a ser realmente feita. Não é de sua natureza carregar essa grande responsabilidade. Toda tecnologia é idealizada para contribuir positivamente, mas são os próprios seres humanos que a utilizam de forma incorreta. A maneira como você se relaciona com esse poder que é a chave da questão. Existe esperança? Lógico, mas não está na fabricação de outros smartphones ainda mais inteligentes, mas sim, nas cacholas que pilotam esses aparelhos. Erga a sua cabeça novamente e enxergue o mundo da forma como ele realmente é, além disso tenho absoluta certeza que a sua coluna agradecerá (risos).

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Finalizo essa matéria com uma citação de Vint Cerf, “Sendo a Internet o reflexo da sociedade, se você não gosta do que vê no espelho, a solução não é mudar o espelho, mas a nós mesmos.” – reconhecido como um dos criadores da internet e dos protocolos TCP/IP, o alicerce de conexão à rede. Reforço que existe momento certo para tudo, inclusive de desligar esses lindos aparelhos, entretanto é você que estabelecerá essa regra. Não existe dúvida sobre os diversos benefícios proporcionados por toda essa tecnologia, mas também sei que os nossos smartphones ainda não possuem vontade própria, e que a nossa vida também não foi feita para ser observada através de telas.

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Estudante do curso Comunicação Social- Publicidade e Propaganda da Universidade Vila Velha no Espírito Santo. Tenho 20 anos, adoro ler, escrever e sou louca por animais. Fotografia é a minha paixão, e a comunicação é o meu melhor amigo do presente e do futuro.

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